segunda-feira, 28 de maio de 2007

Feitas as contas...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

E a guerra no Rio continua...

O crescimento desordenado da cidade do Rio de Janeiro, o crescimento das desigualdades sociais, a falta de políticas públicas para a geração de renda, educação, saúde e habiação não poderíam ter outra consequência do que o aumento da marginalidade, associada ao crescimento do tráfico de drogas na cidade, cujos sucessivos governos deixaram agir livremente.
Armaram as favelas fazendo reféns seus moradores, que por falta de alternativa, têm que se submeter às condições sub-humanas deste tipo de moradia.

E lá se vão quarenta anos desde que a cidade teve um governo que se preocupou, efetivamente, com o urbanismo, planejando o seu crescimento e impedindo o crescimento das favelas. Infelizmente não conheci esta época. Mas, relatos dão conta de que a cidade era limpa e organizada. depois disto, as intervenções urbanas foram meras maquiagens na Zona Sul e em alguns pontos da Zona Norte e Oeste. O fato é que, principalmente a partir do final dos anos 80, do século passado, os sucessivos prefeitos deixaram as favelas crescerem livremente. A lógica era a de que geravam votos.

A Rocinha já está tomando o outro lado do morro, num crescimento contrário, agora está descendo. Já chegou ao topo do morro e agora desce para o lado da Gávea. E já está enorme!

O Complexo do Alemão já tomou conta de cinco bairros da cidade: Ramos, Olaria, Inhaúma, Bonsucesso e Penha. Possui 65 mil habitantes e reúne 13 favelas (Morro Alemão, Grota, Nova Brasília, Alvorada, Alto Florestal, Itararé, Morro Baiana, Morro Mineiro, Morro da Esperança, Joaquim de Queiroz, Cruzeiro, Morro das Palmeiras e Morro do Adeus).

Do mesmo modo que a Rocinha, o Complexo do Alemão é hoje um bairro. Foi em 1993. Mais uma vez temos os critérios urbanos reduzidos a praticamente zero. Você considera que isto é um bairro?

Recente matéria da Revista Época (21/05/2007) mostra que a população das favelas no Rio de Janeiro cresceu 11,5% nos últimos 10 anos. A cidade possui, hoje, cerca de 18,9% da população habitando em favelas. É o meio que encontraram para fugir da miséria no Nordeste do país, castigado pela seca, pelos coronéis e pela corrupção (o recente escandalo que desencadeado pela Operação Navalha mostrou a corrupção em Estados desta região do país).

Como inexiste uma política habitacional, os migrantes e os que já estão aqui há algum tempo optam por invadir áreas e construir suas casas na favelas, pois seungo afirmam:''As casas são mais baratas. E, como a maioria dos moradores não paga luz, água nem imposto, o dinheiro é gasto em outras coisas. Hoje tenho TV, vídeo, geladeira e telefone. É difícil encontrar na comunidade quem não tenha esses produtos'', explica um morador entrevistado pela reportagem da revista.

Desde o dia 1º de maio a polícia vem travando uma guerra contra os traficantes do Complexo do Alemão, numa tentativa de sufocar a "tesouraria" do tráfico. Tem havido um tiroteio intenso.

Estamos em guerra! A cidade que um dia foi chamada de cidade maravilhosa agora amarga uma longa e cruel guerra entre polícia e traficantes, onde, como sempre as vítimas são inocentes.

Depois de terem deixado a situação chegar ao ponto em que está, vamos ver ainda muitas mortes.

O Rio de Janeiro não continua lindo!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Para refletir



Vejam o olhar do Lula

Meu reino para saber o que se passa dentro dessas duas cabeças... Do que o Presidente esta chamando, mentalmente, o seu ministro? Com certeza não é um olhar de confiança.

Como dizia Confúcio: "uma imagem vale mais do que mil palavras".

Foto publicada no Último Segundo


Corram antes que acabe...


Quem gosta de pizza é melhor preparar o estoque, porque corre o risco de acabar. Tem muito tubarão sendo descoberto nesse embróglio (é até elogio) que está sendo investigado pela Operação Navalha.

Todos sabemos que tubarão ataca alguém quando está ferido e sangrando. Pois é, o povo brasileiro está ferido e sangrando, portanto, vamos esperar um ataque dos tubarões.

Estoquem suas pizzas.

Corram antes que acabe...

Chegou no MInistro

Bom, o princípio da inocência é sagrado e fundamental para que não sejam cometidas injustiças, mas existem gravações, de áudio e vídeo, que colocam o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, na cena do crime de corrupção passiva, favorecimento etc... E aí vai começar a desfilar todo o Código Penal.

O ex-Governador do Maranhão, solto na noite de ontem, já esteve envolvido num escândalo de corrupção quando o Sarney era Presidente da República. O escândalo foi o da Ferrovia Norte-Sul.

Ali não tem ninguém amador, são todos profissionais em saquear os cofres públicos e deixar o povo à mingua.

"Rondeau se defende de acusação de ter recebido propina
Numa entrevista em Assunção, no Paraguai, onde acompanha a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro de Minas e Energia Silas Rondeau disse que permanecerá no cargo até o momento em que Lula quiser. "Não existe nada que venha a me comprometer", afirmou. "Estou absolutamente à vontade até o momento em que o presidente, que é dono do cargo, decidir." Ele disse que ainda não conversou com Lula sobre o assunto.

Ivo Costa, assessor do ministro, é um dos 46 suspeitos que a PF deteve na última quinta-feira. Entre os projetos que tiveram recursos desviados, de que eles teriam participado, estavam os do Programa Luz Para Todos, sob responsabilidade do Ministério de Minas e Energia. Rondeau disse desconhecer o assunto. "Desconheço essa informação. A Polícia Federal e o Ministério Público elucidarão essa questão." O ministro foi investigado na Operação Navalha por suspeita de corrupção passiva. Uma fonte da Polícia Federal confirmou que Rondeau - que entrou no governo por indicação do PMDB - foi monitorado pela suspeita de ter sido recompensado pela construtora Gautama.

No entanto, depois de várias alegações de desconhecer o caso, o ministro acabou admitindo que conhece o assunto. "Não há uma prova (do pagamento dos R$ 100 mil) porque é uma mentira", disse. "Pode haver uma suposição. Eu não acredito que a Polícia Federal tenha dito isso." Mais adiante, mudou de tom para acrescentar: "Esse é um processo que está correndo em segredo de Justiça. Não posso dar detalhes."

O ministro definiu a Operação Navalha como "uma pauta negativa que se sobrepõe a uma pauta positiva do País." Ele afirmou, também, que as investigações não atrapalharão o ritmo de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "O PAC está muito acima de um prefeito, de um assessor ou de qualquer ilação. O PAC é maior do que a navalha." Segundo fontes ligadas ao Ministério, Rondeau teria sido orientado pelo ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, a falar sobre as denúncias".
Fonte: jornal O Estado de S. Paulo.

Pois é, o ministro aponta o combate a corrupção como uma pauta negativa! Com certeza, para ele é, temos que reconhecer, já que, aparentemente, ele está envolvido. Mas, para o povo a Operação Navalha é uma pauta mais do que positiva. Não se pode falar de crescimento do país com a crescente corrupção que esvazia os cofres públicos. O combate à corrupção é o item número UM na pauta do crescimento.

Agora, é óbvio que, com este escandalo, vai haver uma pisada no freio da "aceleração" do crescimento, pois se existe um mínimo de critério com o gasto do dinheiro público as licitações etc. correrão com um rigor maior, a fim de se evitar o seu escoamento para os bolsos de nossos ilustres representantes e de seus asseclas emprenteiros, ou vice-versa.

Não devemos esquecer que os tributos são pagos pelo povo e vem sendo aumentados. A faixa de rendimentos que pagavam impostos abaixou, ou seja, quem recebia menos e não pagava imposto de renda agora paga. O que diminuiu foi a alíquota. Isato significa dizer que mesmo com a redução da alíquota o Estado arrecada mais porque aumentou o número de pessoas que passaram a pagar imposto de renda. Para além do fato do pagamento da CPMF, que éra para ser provisória e está se tornando permanente. O dinheiro da cpmf era para ser gasto na saúde, coisa que não acontece.

É isso. Vamos ver aonde esse lodaçal vai chegar.

sábado, 19 de maio de 2007

Sem saída


Como acabar com uma das maiores forças na defesa do meio ambiente? É só nomeá-la Ministra do Meio Ambiente.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Operação Navalha




De novo a corrupção chegando a assessores de ministros...

A Polícia Federal, nos últimos meses, especificamente desde dezembro de 2006, realizou sete operações cujas investigações apontam para a corrupção de servidores públicos de diferentes escalões, chegando aos mais altos, como Ministro do STJ, ex-Governador, assessor do Ministro de Minas e Energia, secretários de Estado etc.

Para lembrar, as operações foram as seguintes: Operação Gladiador (dez/2006), 19 presos que pertenciam à Máfia de Caça-Níqueis do Rio de Janeiro; Operação Ouro Tolo (dez/2006), apreendeu 4.000 máquinas caça-níqueis e fechou 18 bingos no Rio de Janeiro; Operação Furacão (abr/2007), fechou 22 bingos e prendeu 25 pessoas (desembargadores, advogados, policiais federais, procurador da república, bicheiros etc. - ver post Ninguém esperava por esta!); Operação Kaspar (abr/2007), prendeu 22 pessoas sob a suspeita de lavagem de dinheiro; Operação Cobra d'água (abr/2007), que desbaratou a quadrilha que fazia contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai e prendeu 103 pessoas (57 em flagrante e 46 preventivamente); Operação Iscariotes, que desviava recursos da bilheteria de acesso de automóveis e ônibus ao Corcovado - foram presas 20 pessoas; Operação Themis, seguindo os moldes da Operação Furacão do Rio de Janeiro, sendo que foi realizada em São Paulo e tinha como foco principal a sonegação de impostos, também prendeu desembargadores, juízes, Procurador da Fazenda, funcionária da Receita Federal etc., totalizando 43 prisões. E agora, a Operação Navalha.

A ação da PF, na Operação Navalha, visa desmontar um esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos federais destinados a obras públicas, incluindo as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do programa Luz para Todos. Ao todo, foram expedidos 48 mandados de prisão e 84 de busca e apreensão pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon .

Segundo a PF, a Construtora Gautama (foto do dono, Zuleido Soares Veras), que tem sede em Salvador, e filiais em diversos estados onde a operação está sendo realizada, comandava o esquema direcionando verbas públicas para obras de interesse da quadrilha. Cerca de 20 pessoas ligadas à Gautama estão entre os presos. De acordo com a Polícia Federal, o esquema de desvio de recursos públicos federais envolviam empresários da construtora e servidores públicos que operavam no governo federal, estaduais e municipais. A quadrilha garantia o direcionamento de verbas públicas para obras de interesse da Gautama e então conseguia licitações para empresas por ela patrocinadas. As obras eram superfaturadas, irregulares ou mesmo inexistentes. Foram desviados recursos do Ministério de Minas e Energia, da Integração Nacional, das Cidades, do Planejamento, e do DNIT.

A Operação foi deflagrada nos Estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo e no Distrito Federal. Foram 40 mandados de prisão por fraudes em licitações, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro; e 84 mandados de busca e apreensão. O início das investigações foi em novembro de 2006.

Não sei se é motivo de comemoração ou de dor. Talvez os dois. O primeiro porque, pelo menos aparentemente, a Polícia Federal resolveu limpar a casa, combater efetivamente o crime não importando quem seja o criminoso. E o segundo porque é muito triste ver a quantidade de pessoas que deveríam defender os interesses do povo, aplicar a Justiça, combater o crime etc. ao contrário se juntam para montar enormes quadrilhas para cometer crimes. Lançam mão de sua posição exatamente para mascarar seus crimes e tirar vantagens, vendendo facilidades.

Abaixo a lista dos presos publicada no Estadão:
Ivo Almeida Costa - Assessor Especial do Ministério das Minas e Energia
Sérgio Luiz Pompeu de Sá - Assessor do Ministério de Minas e Energia
José Reinaldo Tavares - Ex-Governador do Maranhão (foto)
Geraldo Magela Fernandes Rocha - Ex-assessor do ex-govenador
José Reinaldo Tavares
Nilson Aparecido Leitão - Prefeito de Sinop/MT
Luiz Carlos Caetano - Prefeito de Camaçari/BA
Flávio José Pin - Superintendente de Produtos de Repasse da Caixa Econômica Federal em Brasília
Pedro Passos Júnior - Deputado distrital
Ernani Soares Gomes Filho - Servidor do Ministério do Planejamento - Atualmente à Disposição da Câmara dos Deputados
José Ivam de Carvalho Paixão - Ex-deputado federal pelo PPS-SE
Roberto Figueiredo Guimarães - Consultor Financeiro do Maranhão e Atual Presidente do Banco Regional de Brasília (BRB)
João Alves Neto - Filho do Governador João Alves Filho
Francisco de Paula Lima Júnior - Sobrinho do Atual Governador do Maranhão
Alexandre de Maia Lago - Sobrinho do Atual Governador do Maranhão
Flávio Conceição de Oliveira Neto - Ex-Chefe da Casa Civil do Governo João Alves Filho - Atual Conselheiro do Tribunal de Contas Estadual
Zuleido Soares Veras - Empresário-Dono da Gautama
Rodolpho de Albuquerque Soares de Veras - Filho de Zuleido-Empresário
Maria de Fátima Palmeira - Diretora Comercial da Gautama
Flávio Henrique Abdelnur Candelot - Empregado Gautama
Humberto Dias de Oliveira - Empregado Gautama
Abelardo Sampaio Lopes Filho - Engenheiro e Diretor da Gautama
Bolivar Ribeiro Saback - Empregado-Lobista Gautama
Rosevaldo Pereira Melo - Lobista GautamaTereza Freire Lima - Funcionária Gautama
Florencio Brito Vieira - Empregado Gautama
Gil Jacó Carvalho Santos - Diretor-Financeiro Gautama
Jorge E. Dos S. Barreto - Engenheiro da Gautama
Vicente Vasconcelos Coni - Diretor Gautama no Maranhão
Dimas Soares de Veras - Irmão Zuleido - Empregado Gautama
Henrique Garcia de Araújo - Administra Uma Fazenda do Grupo Gautama
Ricardo Magalhães da Silva - Empregado da Gautama
João Manoel Soares Barros - Empregado da Gautama
José Edson Vasconcelos Fontenelle - Empresário
Jair Pessine - Ex-Secretário Municipal de Sinop/MT
Zaqueu de Oliveira Filho - Servidor do Município de Camaçari/BA
Jorge Targa Juni - Presidente da Companhia Energética do Piauí
Iran César de Araújo Filho - Secretário de Obras do Município de Camaçari/BA
Edílio Pereira Neto - Assessor de Iran César de Araújo Filho
Everaldo José de Siqueira Alves - Subsecretário de Iran César de Araújo Filho
Adeilson Teixeira Bezerra - Secretário de Infra-Estrutura de Alagoas
Denisson de Luna Tenório - Subsecretário de Infra-Estrutura de Alagoas
José Vieira Crispim - Diretor de Obras da Secretaria de Infra-Estrutura de Alagoas
Eneas de Alencastro Neto - Representante do Governo de Alagoas em Brasília
Marcio Fidelson Menezes Gomes - Secretário de Infra-Estrutura de Alagoas
Ney Barros Bello - Secretário de Infra-Estrutura do Maranhão
Sebastião José Pinheiro Franco - Fiscal de Obras do Maranhão
José de Ribamar Ribeiro Hortegal - Servidor da Secretaria de Infra-Estrutura do Maranhão.

Como dizia o poeta: "se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão"...

Influências do meio ambiente na saúde da mulher

Do Jornal do Meio Ambiente
No decorrer dos anos tem havido um aumento contínuo de doenças femininas, como câncer de mama, fibróides, endometriose, abortos e infertilidade. Houve aumento também dos casos de fibromialgia, síndrome da fadiga crônica e hipotireoidismo, que afetam principalmente as mulheres.

Estudos comprovam que exposição a agentes químicos encontrados no meio ambiente como, por exemplo, pesticidas, herbicidas, inseticidas e subprodutos da indústria podem causar rupturas endócrinas nas pessoas. Substâncias que causam ruptura endócrina são todas aquelas que alteram o nível de atividade hormonal normal no organismo.

Os produtos químicos sintéticos podem perturbar a atividade normal de fatores estrógenos e andrógenos, o hormônio tireoidiano e outros hormônios. Eles conseguem fazer isso ligando-se diretamente a receptores de hormônios, ativando-os e provocando uma cadeia de eventos, como se o próprio hormônio estivesse ligando-se ao receptor. O agente químico tóxico pode também ligar-se e ocupar o receptor, bloqueando a atividade hormonal normal, ou pode interferir com proteínas que regulam a atividade dos hormônios. Esses efeitos podem estar associados ao desenvolvimento de doenças. Estamos expostos a compostos que causam ruptura endócrina na vida diária, quase sempre sem saber que estamos nos expondo.

Encontramos resíduos de pesticidas nas frutas e verduras à venda nas prateleiras dos supermercados. Os produtos animais — além de hormônios e antibióticos — contêm dioxinas e compostos similares à dioxina. Alguns peixes contêm altos níveis de mercúrio e pesticidas. Os produtos químicos usados como plastificantes em produtos de PVC (policloreto de vinila) podem prejudicar o sistema reprodutor feminino. São muitos os produtos domésticos feitos de PVC, entre eles, toalhas de mesa, cortinas de chuveiro, brinquedos infantis, equipamento médico de plástico e embalagens de alimentos. Os recipientes plásticos de alimentos e condimentos podem emitir agentes químicos nocivos. Compostos que causam ruptura hormonal são encontrados tanto na água proveniente de poços quanto na da rede de distribuição urbana, proporcionando mais uma forma de exposição.

Compostos tóxicos também são inalados ou absorvidos através da pele por contato com a maioria dos produtos de limpeza domésticos, cosméticos, perfumes, lavagem a seco, carpetes, assoalhos de vinil, copiadoras, cola de madeira, desodorantes de ambiente, colchões, xampus e assim por diante. Alguns dos compostos mais comuns que causam ruptura endócrina incluem dioxinas, bifenis policlorinados, bisfenol-A, ftalatos, pesticidas, formaldeídos e metais pesados. Todos comprovadamente causam efeitos nocivos à saúde da mulher.

Há muitos outros agentes químicos compostos e subprodutos no meio ambiente que também são tóxicos. As dioxinas são subprodutos produzidos pela incineração industrial e pela combustão. Resultam da fabricação de produtos que contêm cloro — como pesticidas e conservantes de madeira — e do branqueamento de papel. As dioxinas persistem no meio ambiente durante anos e acumulam-se na cadeia alimentícia.

As dioxinas reduzem os hormônios tireoidianos e a testosterona e produzem efeitos tanto estrogênicos como anti-estrogênicos. As dioxinas estão vinculadas à endometriose e à disfunção tireoidiana nas mulheres, assim como aos crescentes índices de natimortos.

Os bifenis policlorinados (PCBs) são utilizados como líquidos refrigerantes, lubrificantes e isolamento para equipamentos elétricos, assim como em tintas, plásticos, corantes, madeira e borrachas. Os PCBs acumulam-se na gordura humana e na cadeia alimentícia; são encontrados em rios e lagos. Os PCBs enfraquecem o sistema imunológico, afetam o desenvolvimento neurológico, atuam como estrogênio e afetam a função tireoidiana.

O bisfenol-A é um composto encontrado nos plásticos. É usado na fabricação de discos compactos, garrafas de plástico, revestimento de latas de alimentos e selantes dentais. Ele passa do plástico para os alimentos e para o meio ambiente. O bisfenol-A produz efeitos similares ao estrogênio sobre as células cancerosas da mama receptoras de estrogênio. Os ftalatos são aditivos do plástico que o torna forte, macio e flexível. A maioria dos suplementos é acondicionada em plástico feito com ftalatos. Eles são usados em forros de carpete, tintas, colas, repelentes de insetos, spray para cabelos e esmalte de unhas.

Os ftalatos também são usados em produtos como loções, tintura para cabelo, xampus e desodorantes, além de serem utilizados na fabricação de medicamentos entéricos com revestimento. Os ftalatos causam rupturas hormonais e podem impedir a ovulação e a produção de estradiol, assim como contribuir para a síndrome do ovário policístico. Em ratos, os ftalatos causam aborto espontâneo e defeitos congênitos.

Pesticidas nocivos, como o DDT e seu metabolito DDE, foram proibidos nos Estados Unidos, mas seus efeitos continuam no meio ambiente. O DDT é um inseticida usado na agricultura e contra mosquitos. Ele possui efeitos estrogênicos e anti-androgênicos, assim como efeitos sobre a percepção. Os pesticidas têm sido vinculados à infertilidade, aborto espontâneo e câncer de mama. O DDT ainda persiste no meio ambiente, acumulado no tecido adiposo e na cadeia alimentar.

O formaldeído é um composto cujos vapores causam depressão, fadiga, memória fraca, dores de cabeça, asma, tosse, erupções cutâneas e muitos outros problemas. É encontrado em xampus, condicionadores, cosméticos, materiais de construção, artigos de limpeza, carpetes, produtos de papel, plásticos e um sem-número de outros produtos. Tem sido vinculado à perda de fertilidade, ao aborto espontâneo e à endometriose.

Há vários metais pesados que podem ser considerados causadores de ruptura endócrina e são relacionados a muitos problemas de saúde da mulher.A exposição a níveis baixos de cádmio está associada a um aumento do risco de osteoporose e fraturas. Exposição de baixa a moderada ao chumbo pode aumentar o risco de abortos espontâneos. Existe também uma ligação entre a exposição a mercúrio, manganês e chumbo e uma redução da fertilidade.

Um estudo realizado por P.D. Darbe e publicado em 2004 no Journal of Applied Toxicology (Vol. 24, nº1), detectou alta concentração de parabenos em tumores de mama. Este fato é muito significativo, devido à quantidade de parabenos e metilparabenos a que as mulheres estão expostas todos os dias. Os parabenos — conhecidos causadores de ruptura endócrina — são utilizados como conservantes em milhares de cosméticos, alimentos e produtos farmacêuticos, inclusive cremes hormonais.

Avaliação
Avaliar se o problema de saúde da paciente é ou não causado por exposição ambiental começa no consultório com um histórico detalhado — um cronograma dos sintomas da paciente, do local onde ela morava e trabalhava quando apareceram os sintomas e quando ela se sentiu bem pela última vez. Um histórico detalhado — incluindo residência, ocupação, passatempos e estilo de vida — pode ajudar a identificar possíveis agentes a que a paciente ficou exposta ao decorrer do tempo. Testes podem fornecer informações valiosas sobre exposições recentes, assim como sobre compostos retidos no organismo. Testes de metais pesados, pesticidas, solventes, ftalatos e outros compostos são realizados em diversos laboratórios.

Como evitar
É importante estar familiarizado com a ligação entre os problemas de saúde da mulher e as toxinas ambientais, a fim de orientar as pacientes sobre o que fazer para minimizar a exposição a esses agentes. Evitar compostos que causam ruptura endócrina começa com as escolhas feitas no lar e nas lojas.
Compre frutas e verduras orgânicas, cultivadas sem pesticidas, herbicidas, adubos sintéticos ou hormônios.
Compre frutas e verduras frescas sempre que possível.
Evite alimentos enlatados .
Compre carne, ovos e laticínios orgânicos, isentos de hormônios.
Evite a gordura do animal.
Compre produtos de animais criados no pasto.
Como as toxinas (por exemplo, o mercúrio) se acumulam na gordura do peixe, coma somente peixes que não foram criados em confinamento , mas que são oriundos de rios, lagos ou mares de água limpa. (Visite o site http://www.ewf.org.br/ para obter uma lista de peixes com menores teores de mercúrio).
Beba água filtrada de garrafas ou copos de vidro em vez de garrafas de plástico.
Use sabonetes, detergentes e artigos de limpeza naturais, sem produtos químicos ou perfume. Use controle natural de insetos em seu jardim em vez de pesticidas e herbicidas para o seu gramado.
Quando fizer reformas, procure materiais de construção saudáveis.
Ao entrar em casa, tire os sapatos para não trazer resíduos para dentro.
Use cosméticos e produtos de higiene naturais/orgânicos, sem ftalatos e parabenos.
Procure uma lavanderia que lave roupa a seco sem produtos tóxicos.
Evite os plásticos tanto quanto possível.
a) Guarde os alimentos em recipientes de vidro ou cerâmica.
b) Não esquente alimentos em recipientes de plástico ou cobertos de plástico.
c) Compre condimentos em frascos de vidro em vez de plástico.
d) Use cortina de chuveiro de fibra orgânica em vez de plástico.
e) Leve sacolas de pano para colocar seus mantimentos em vez de sacos plásticos.
f) Troque as venezianas de plástico por cortinas de pano.
g) Use cabides de metal em vez de plástico.
Leitura "O Futuro Roubado" de Theo Colborn, L&PM Editores, Porto Alegre, 1997, 354 p "Living Downstream" de Sandra Steingraber, Vintage, New York, EUA, 1998, 374 p
Websites http://www.cheforhealth.org/ (The Collaborative on Health and the Environment) http://www.nottoopretty.org/ (Poisoned Cosmetics, Not Too Pretty)
http://www.noharm.org/ (Heath Care Without Harm)
http://www.healthytomorrow.org/ (Alliance for a Healthy Tomorrow)
http://www.thegreenguide.org/ (The Twin Cities Green Guide)

Fonte: Dra. Marianne Marchese é médica naturopata, ( awomanstime@aol.com )

Quanto tempo?

Vi este vídeo no Kibeloco. Achei ótimo! Para quem gosta de F1, então... Dá pra dar boas risadas. Como diz no Kibeloco, tire as crianças da frente do computador.

Vai a reflexão: o Rubinho se prestou a um péssimo papel na Ferrari. O Massa teve mais sorte, entrou já na aposentadoria do Shumacher. Divirtam-se!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Quanto mais mexe pior fica

Este juíz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, Ernesto Dória, que está sendo acusado de ser o intermediador da corrupção de desembargadores na Operação Furacão, vai ter que usar muito óleo de peroba para poder articular a sua defesa através da alegação de inocência. Hoje, foi mostrada uma gravação feita pela Polícia Federal onde ele é envolvido em mais um caso de corrupção. Desta vez ele queria receber a indenização devida (?) a sua mulher em consequência de uma Ação movida contra o Metrô do Rio. O que ele pretendia era receber o dinheiro diretamente do Metrô e pediu ao coronel Cláudio Rosa, sub-chefe da coordenadoria militar do governo do estado do Rio de Janeiro, que libereasse o dinheiro, referido por Dória como uma “merreca" de uns R$ 300 mil.

O juíz afirma que conversou com o Governador Sérgio Cabral e que este lhe pedira para não tirar a Carta Precatória que ele tinha um meio deste dinheiro ir para o Metrô e ele receber logo.

Minuto de esclarecimento: nós, reles mortais, quando entramos com qualquer Ação contra o Estado (seja o Município, o Estado ou a União) e ganhamos, para recebermos o dinheiro temos que pedir uma Carta Precatória, que é um documento de crédito contra o Estado em razão de uma ação perdida na Justiça. A Carta Precatória tem que ser apresentada, geralmente no meio do ano, para o órgão devedor para que possa entrar no orçamento para o ano seguinte. Mas, na realidade este ano seguinte fica sendo seguinte indefinidamente. Daí a expressão "ganha mas não leva".

Voltando ao juíz, ele afirma que não deixou tirar a Carta Precatória e que daria 25% ao coronel, a quem chamou de irmão e amigo. Ele ainda reclama de "alguns malandros" que queríam cobrar 30% dele.

Outro ponto a ser destacado é a afirmação do advogado de defesa do juíz que disse que "absolutamente ele não corompeu nem foi corrompido". Então tá, oferecer presentes da ordem de 25% de R$ 300 mil reais em troca da liberação deste dinheiro não é corromper, viu? Então ninguém mais pode dar um presente a um amigo?

Mais uma curiosidade: o juíz foi Assessor de Roberto Marinho durante dez anos (1975 a 1985) e segundo consta ameaçava os donos de bingos que iria mandar a Glbo ir aos bingos e caça níqueis caso não pagassem mensalmente a ele o que ele queria. "(...) O juiz Dória gosta de falar ao telefone e de dizer que é importante:

“Eu sou amigo dos filhos do Roberto Marinho”, disse Dória na gravação.
“O juiz Dória se mostra irritado quando outros juízes prometem e não cumprem. Também reclama porque os juízes passaram a brigar e espionar uns aos outros”.
Em outra conversa, o juiz Dória diz que exige dinheiro dos bingos todo mês. E quando não pagam, ele diz que sabe como reagir. Na gravação, Dória “fala que ia mandar a Globo nos bingos do Jaime e diz que ele tinha que dar dinheiro para ele todo mês". (Conversa Afiada)

Para conhecerem melhor de quem estamos falando, além dos crimes de que é acusado, o juíz tem o seguinte currículo, extraído da página do TRT 15ª Região:

Dr. ERNESTO DA LUZ PINTO DÓRIA
O Juiz Ernesto da Luz Pinto Dória é Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com colação de grau em 1965.
Cursos de Doutorado na Cadeira de Direito Penal pela Faculdade Nacional de Direito; Criminologia Aplicada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Legislação do Trabalho; Relações Internacionais; Mercado de Capitais; Execução Fiscal; Direito Social; Mercado de Capitais, supervisionado pela Bolsa de Valores do Estado do Rio de Janeiro; Direito Tributário na Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Direito Marítimo; Prática Forense ao Direito do Trabalho; Direito do Trabalho na Fase de Execução; Aplicação da Legislação do Direito do Trabalho; Prática de Direito do Trabalho; Normas Penais e Sanções no Mercado de Capitais da Bolsa de Valores do Estado do Rio de Janeiro; Legislação, Aplicação e Prática Atualizada do Direito do Trabalho; Legislação e Normas da Previdência Social e Normas de Aplicação da Lei de Acidentes de Trabalho.
Juiz Togado fundador do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, oriundo do quinto constitucional, pela classe dos Advogados. Foi Presidente da 3ª Turma entre os anos de 1992 e 1995.
Indicado pelo Conselho da Ordem do Mérito Judiciário, o Colendo Tribunal Superior do Trabalho conferiu-lhe o grau de Comendador da mesma ordem, em 1988.
Chefe da Representação do Gabinete do Ministro da Justiça no Estado do Rio de Janeiro desde a administração do Ministro Petrônio Portela (1979 a abril de 1985).
Representante do Ministério da Justiça junto ao CONCINE.
Membro da Comissão de Reforma do Código de Trânsito.
Assistente do Prof. Oscar Stevenson, Cadeira de Direito Penal, no Curso Superior de Polícia da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Assessor Especial do Presidente das Organizações GLOBO (1975 a 1985).
Eleito com maioria dos votos para exercer o cargo de Vice-Corregedor Regional do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, para o biênio 1998/2000.
Eleito com maioria dos votos para exercer o cargo de Corregedor Regional do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, para o biênio 2000/2002.

Não podemos mais dizer que só os que não têm acesso à educação desviam e cometem crimes. Nosso Douto Desembargador fêz até doutorado e fala como um meliante rameiro. A expessão "merreca" é indicativa disto.

Vejam só: um juíz com uma vasta folha corrida de acusações fundamentadas em gravações de telefonemas, onde se ouve claramente a sua voz, portanto, muito difícil afirmar inocência.

Quem usa óleo de peroba em móveis em casa vai ter que correr aos supermercados, pois o juíz Ernesto Dória vai acabar com o estoque.

Manifesto de Repúdio ao Comércio e Exposição da Fauna Silvestre com Aval do Governo Federal

Não é de hoje que se constata uma grande permissividade no trato das questões de fauna silvestre por parte do Governo Federal. O comércio legalizado de animais silvestres está na contramão de qualquer limite da razão e não há como controlá-lo. E se não é possível exercer um controle rígido sobre esse comércio, ele não deveria ser permitido.

A Portaria 117/97 do Ibama estabelece que animais silvestres nativos e exóticos podem ser comercializados como animais de estimação desde que tenham origem legal, ou seja, que tenham nascido em criadouros autorizados pelo Ibama. Essa portaria possibilita inclusive o comércio da fauna ameaçada de extinção (Fauna Silvestre), desde que obedecidas as "exigências legais de origem".

O incômodo provocado aos vizinhos por quem tem uma arara, por exemplo, e normalmente não tem condições técnicas e físicas para cuidar do animal, entopem de denúncias os órgãos fiscalizadores, que não têm como efetuar uma fiscalização adeqüada justamente pelas inúmeras possibilidades de fraude.

Um animal silvestre com origem legal tem que estar acompanhado de nota fiscal e marcação (a portaria não especifica qual marcação deva ser utilizada). No entanto, as notas fiscais podem perfeitamente ser feitas em qualquer gráfica de fundo de quintal. Quanto à marcação, não há nenhuma atualmente que seja segura e isenta de trapaças. As marcações, como as anilhas, tatuagens e microchips, são todas sucetíveis de fraudes. E basta que se tenha algum conhecimento das normas do Ibama para que se use e abuse da fraudação. Uma pessoa que tem um papagaio com nota fiscal pode dizer à fiscalização que o animal tem microchip. Nem a polícia nem o Ibama tem leitores de microchip. Nesse caso, os agentes de fiscalização não podem apreender o animal "supostamente" legal, pois o proprietário tem uma nota fiscal. Além disso, a anilha, microchip ou tatuagem podem ser transferidos de um animal morto para outro animal vivo da mesma espécie, fazendo com que esse animal "nunca morra".

Antes da Portaria 117/97, somente criadouros científicos ou conservacionista, com projetos aprovados e com responsáveis técnicos, podiam criar animais silvestres. E essas entidades não tinham como meta a obtenção de lucros, como ocorre hoje com os criadouros comerciais. Como bem colocou o delegado titular da Delegacia Civíl do Meio Ambiente, Luiz Marcelo Xavier, " o Ibama deu poder ao tráfico de animais silvestres". Vale citar também a Instrução Normativa 01/03 do Ibama, que possibilita a criação "amadorista" de 150 espécies de pássaros brasileiros para atender a uma demanda "cultural" da sociedade (devemos nos lembrar que a Escravidão Negra no Brasil também foi considerada e defendida como "cultural" em sua época).

Essa normativa se tornou a principal responsável pela barbárie que parte da fauna silvestre está submetida, pois as instalações desses criadores amadoristas, com centenas de pássaros, não costumam ter condições físicas adeqüadas e sequer são vistoriadas. Quando ocorre uma eventual diligência provocada por denúncia, é comum os fiscais do Ibama se depararem com dezenas de gaiolas espalhadas por todo o imóvel, inclusive dentro de banheiros e na cozinha, em cima de fogões e geladeiras. Um crime contra a natureza com o aval do Governo Federal.

Outro grave problema é a "Autorização para Exposição" fornecida pelo Ibama. O Projeto Tubarões no Brasil recebe diversas denúncias de exposições de animais marinhos, especialmente em shoppings, onde o tubarão-lixa ou Lambaru ( Gimglymostoma cirratum) é a vedete, o chamariz de público. Quando a fiscalização do próprio Ibama faz a diligência encontra a tal autorização (muitas vezes conseguida na justiça tendo como base a portaria 117/97 já citada). Cabe então uma pergunta: como conseguem essa autorização, já que a mesma fere a legislação que proíbe capturar, manter, expor, comercializar ou transportar animais ameaçados de extinção listados no Anexo I da Instrução Normativa 05/04 do Ibama (Ministério do Meio Ambiente), como é o caso do tubarão-lixa? É preciso que a Diretoria de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama (DIFAP) dê atenção especial e resolva essa questão.

É importante esclarecer que cabe ao Ibama executar as políticas do Ministério do Meio Ambiente (Governo Federal), mas a despeito dos muitos mandos e desmandos o Ibama ainda é uma importante referência em meio ambiente e conservação da natureza. No entanto, há um claro conflito dentro do próprio governo entre um grupo que defende o comércio e a exposição de animais silvestres e um outro que repudia tais práticas. Ainda que o segundo grupo seja bem maior, o primeiro tem conseguido fazer valer seus interesses. Infelizmente!

Existe uma outra questão, igualmente grave, relacionada aos maus tratos a que são submetidos os animais silvestres. Prova disso, são os criadores conservacionistas que abrigam animais impossibilitados de regressarem à natureza em decorrência das agruras e cueldades físicas provocadas pelo transporte, manuseio e recintos inadeqüados. Os criadores particulares, que podem ser pessoas comuns como seu vizinho e que muitas vezes têm como motivação somente a vaidade, vêm se constituindo em um grande problema. Para eles o que vale é a "raridade" de determinados espécimes, e, para isso, fazem competições idiotas para demonstrar quem tem os animais mais valiosos. Com isso, alimentam o tráfico ilegal especializado de espécies ameaçadas e, como já há precedente, contribuem para a extinção das espécies ameaçadas.

Um caso típico é o da Ararinha-azul ( Cyanopsitta spixii), que foi extinta da natureza e hoje só é encontrada em zoológicos e criadores particulares espalhados pelo mundo. Felizmente, as pessoas conscientes continuam fazendo denúncias de maus tratos, mas como os critérios de maus tratos são muito subjetivos, os órgãos fiscalizadores não têm como proceder o flagrante e a conseqüente apreensão do animal.

Como existe a figura do cativeiro legal e não há uma regulamentação clara acerca do tamanho adequado dos recintos e das condições mínimas de habitação, o agente público, mesmo agindo com o mais criterioso bom-senso, pode incorrer em abuso de autoridade caso resolva apreender um animal por maus tratos. Nesse sentido, é extremamente necessário que o Governo Federal regulamente uma definição clara para maus tratos e, ainda, que faça realizar uma consulta pública para saber se há interesse da sociedade civil na perpetuação do cativeiro da fauna silvestre motivado por vaidade ou hobbie.

Precisamos por fim ao comércio e à exposição da fauna silvestre como animais de estimação ou de exibição! DIGA NÃO AO COMÉRCIO E À EXPOSIÇÃO DA FAUNA SILVESTRE ! PROTESTE ! DENUNCIE ! DIVULGUE ESSA CAUSA ! O telefone da Linha Verde do Ibama 0800 61 8080 e seu e-mail linhaverde@sede.ibama.gov.br recebem denúncias e reclamações. Expresse também seu repúdio.
Por Marcelo Szpilman e Rodrigo de Carvalho

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O aquecimento global vai criar pelo menos 1 bilhão de refugiados até 2050

LONDRES (Reuters) - O aquecimento global vai criar pelo menos 1 bilhão de refugiados até 2050, porque a falta de água e as deficiências de safras expulsarão as pessoas das suas casas, desencadeando guerras pelo acesso a recursos, disse uma importante entidade humanitária na segunda-feira.

Em um relatório intitulado "Fluxo humano: A verdadeira crise da migração", a Christian Aid disse que, já que o mundo desenvolvido foi responsável pela maior parte da poluição que altera o clima, ele deveria arcar com a maior parte dos gastos com a ajuda aos mais afetados -- os pobres.

“Acreditamos que a migração forçada é atualmente a ameaça mais urgente enfrentada por pobres nos países em desenvolvimento", disse John Davison, que coordenou o estudo.
Os cientistas prevêem que as temperaturas médias vão subir entre 1,8 e 3 graus neste século por causa das emissões de gases do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, causando inundações e ondas de fome e colocando milhões de vidas em risco.

O Painel Intergovernamental Sobre a Mudança Climática diz que até 2080 até 3,2 bilhões de pessoas -- um terço da população do planeta -- enfrentará escassez de água, até 600 milhões enfrentarão escassez de alimentos, e até 7 milhões vão enfrentar inundações costeiras.
"Estimamos que, se não for feita uma forte ação preventiva entre agora e 2050, a mudança climática vai empurrar o número de deslocados globalmente para pelo menos 1 bilhão", disse o relatório da Christian Aid.

Especialistas em segurança temem que o fluxo de migrantes forçados alimente não só conflitos já existentes, como crie novos, em algumas das partes mais pobres e desvalidas do mundo, justamente as menos equipadas para lidar com eles, segundo o texto.

"Um mundo de muito mais Darfurs é o pesadelo cada vez mais provável", disse o relatório, citando a região do oeste do Sudão onde segundo a ONU pelo menos 200 mil pessoas foram mortas e 2 milhões expulsas de suas casas nos últimos anos.

Embora muitos desses refugiados climáticos devam cruzar fronteiras -- tornando-se um problema nacional -, muitos milhões de outros não conseguiriam sair de seus países, e por isso permaneceriam praticamente invisíveis ao resto do mundo, afirmou o relatório.

"Esses refugiados internos não têm direitos sob a lei internacional e não têm voz oficial", disse o relatório. "Suas condições de vida devem ser desesperadas, e em muitos casos suas vidas estarão em perigo."

A Christian Aid disse que a Colômbia está atrás apenas do Sudão no número de refugiados internos. Muitos deles foram forçados a fugir pela guerra civil, mas o número agora está sendo aumentado pelos que são expulsos de suas terras devido ao avanço do cultivo da palma, usada na produção de biocombustíveis. Por Jeremy Lovell